Ilustração: Luisa Rivera[1]

 

 

Desde que entrou no ar, em 2018, a página da Horizontes ao Sul (HaoS) recebeu uma série de colaborações que nos conduziram até o presente. Pensada essencialmente como um meio de democratização das ciências sociais, a HaoS tem sido espaço para divulgação de pesquisas, análises de conjuntura e textos literários escritos por diferentes gerações de acadêmicas/os/xs e intelectuais que privilegiam perspectivas sobre a América Latina. A existência da HaoS enquanto um projeto independente e voluntário, sem financiamentos, fins lucrativos ou interferências externas, é sustentada pela dedicação de tempo e esforço da equipe editorial, o interesse de autoras/es/xs em produzir conteúdos e o ímpeto do público leitor em difundi-los. 

 

Se tudo isso tem um quê de beleza e explicita a extensão de uma rede de pessoas comprometidas com a difusão do conhecimento produzido nas universidades - e fora delas -, por outro lado, há também uma parcela constante de indignação e precariedade. Somos nós, das ciências sociais, que frequentemente recebemos tratamento de “segunda classe”. Os primeiros cortes de financiamento público atingem as humanidades, as ameaças à liberdade de expressão recaem nos que mais fomentam pensamento crítico e as instituições privadas criam editais especiais de valorização direcionados apenas às ciências “produtivas”, às exatas. 

 

As demandas extenuantes de trabalho, contudo, não nos ficam indiferentes. Constituímos uma nova geração de acadêmicas/os/xs que precisa dar conta da aceleração do cotidiano, da intensificação da inseguridade social e da lenta e contraditória abertura à inserção das mulheres e da população negra nas instituições de ensino e pesquisa, que se soma às incertezas de um destino especialmente suscetível a mudanças políticas. Independente do futuro que nos espera, seguimos com o desejo de consolidar a HaoS como um espaço com múltiplas frentes: de um ambiente formal para debates contemporâneos com pessoas mais experientes a um canal de conforto e segurança para os/as/xs jovens estudantes que começam a lidar com a escrita. 

 

A HaoS cresceu. No final do ano passado, Rafael Rezende, integrante da publicação desde 2018, e Guilherme Marcondes se tornaram membros efetivos da equipe de editores. Os dois pesquisam e lecionam Sociologia. Guilherme trabalha com temas relativos a políticas culturais, arte e questões raciais. Já Rafael propõe perspectivas sobre populismo, movimentos sociais e internacionalismos. Alguns meses antes, Leonardo Nóbrega, que estuda o mercado editorial e a institucionalização das ciências sociais, também havia se unido ao grupo. Além deles, somamos mais três pessoas: Marcia Rangel Candido, que elaborou o projeto e criou a revista; Luna Ribeiro Campos, atuante desde a fundação do site; e Simone Gomes, antiga colaboradora e editora há mais de um ano. Vale lembrar que Natasha Bachini, socióloga e professora, participou de nossas atividades iniciais ajudando a compor a primeira leva de artigos divulgados. 

 

Em 2019 circulamos 52 textos, sendo vários deles escritos por latino-americanas/os/xs. As contribuições estrangeiras procederam da Argentina, Chile e Colômbia, com algumas advindas de países do Norte global. Um formato importante ao qual temos dado atenção é o livro: divulgamos sistematicamente capítulos de obras recém-lançadas com o intuito de estimular a aquisição das edições completas e valorizar as editoras em tempos de crise no mercado. As páginas da HaoS foram contempladas com a qualidade dos trabalhos da Companhia das Letras, Editora Elefante, Autonomia Literária e Ubu Editora. Na autoria dos recentes artigos publicados atingimos uma maioria feminina: trinta mulheres e vinte e cinco homens. Demos início, ademais, a algumas importantes parcerias com o Observatório Político Sul-Americano (OPSA), grupo de pesquisa sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj) e com a Revista Escuta, comandada pelos cientistas políticos Jorge Chaloub e Diogo Tourino, e pelo historiador Fernando Perlatto. Por fim, expandimos nossos canais de comunicação para o Instagram e o Twitter, no intuito de acompanhar o movimento das redes sociais e alcançar cada vez mais leitoras/es/xs e colaboradoras/es/xs.

 

Após o recesso de fim de ano, começamos os primeiros meses de 2020 tendo a Argentina como foco: Juan Pedro Blois tratou da relação entre sociologia e política no país, tema similar ao abordado em entrevista com o sociólogo portenho Mario Toer (Universidad de Buenos Aires, UBA). Os editores da revista Leonardo Nóbrega, Marcia Rangel Candido e Rafael Rezende, por sua vez, analisaram a composição ministerial do recém-empossado presidente Alberto Fernández e as perspectivas de mudança política pactuadas com a última eleição, texto que foi publicado concomitantemente no Boletim do OPSA

 

Vizinho dos argentinos, o Uruguai foi local de realização da entrevista com o artista visual Clemente Padín, conduzida por Guilherme Marcondes, Tálisson Melo de Souza e Jorge F. Soto. Indo para a América Central, a editora Simone Gomes discutiu o contexto de violência em El Salvador. De modo mais geral, Anthony Rodrigues apontou alguns dos problemas relacionados à ideia de representação de artistas negros/as/xs, Yasmin Curzi pautou o problema do assédio online e Tamires Maria Alves apresentou um ensaio sobre Angela Davis e os silenciamentos vinculados à agenda do abolicionismo penal. 

 

Pretendemos persistir aproximando as ciências sociais do cotidiano das pessoas. Se 2018 foi nosso ano de nascimento e 2019 o de consolidação, em 2020 esperamos expandir essa trajetória. Para tal, a participação de vocês é fundamental. Leiam, enviem propostas, comentem e compartilhem. Sigamos juntas/os/xs. 

 

Boas leituras,

 

Equipe Editorial Horizontes ao Sul

Luna Ribeiro Campos

Marcia Rangel Candido

Simone Gomes 

Guilherme Marcondes

Leonardo Nobrega

Rafael Rezende

 

 

NOTAS

 

[1] A imagem dessa publicação foi gentilmente cedida por Luisa Rivera, artista chilena que, dentre outros trabalhos, realizou ilustrações para edições de livros de Gabriel García Márquez e Ruben Dário. Em 2019, Rivera publicou En aquel faro pela Liberalia Ediciones (Chile). Portfólio: https://www.luisarivera.cl/ 

 

 

 

Como citar esse texto: CAMPOS, Luna; CANDIDO, Marcia; GOMES, Simone; MARCONTES, Guilherme; NÓBREGA, Leonardo & REZENDE, Rafael. (2020), "Editorial HaoS". Horizontes ao Sul, n.3. Disponível em: https://www.horizontesaosul.com/single-post/2020/03/15/EDITORIAL-HaoS-n1-2020-final

 

 

 

 

 

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