[Observação: este ensaio é direcionado às pessoas que assistiram ao filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles]

A colonialidade é o lado obscuro da modernidade. Uma é a contraface da outra. O pressuposto, explicado por Walter Mignolo e seguido pelos teóricos do pensamento decolonial[1], evidencia que a promessa de uma humanidade emancipada, firmada nos contratos sociais, coexistiu com a sujeição de indígenas, negros, negras e demais habitantes do “Novo Mundo”.

O paradigma da emancipação/regulação pelas leis que levariam os indivíduos à liberdade civil não se colocava em contradição com o da violência empregada nas colônias. É q...

Em 2018, Programa de Alfabetização Audiovisual [1] completa uma década de atividades ininterruptas, tendo proporcionado a muitos estudantes e professores momentos únicos de experiências, encontros, invenções e descobertas com o cinema. Por ser voltado principalmente para professores e estudantes das redes públicas de ensino, com suas ações inteiramente gratuitas, o projeto se configura como uma política pública de democratização audiovisual, a partir da crença no caráter universal do acesso à arte, à cultura, à tecnologia e aos meios de produção do cinema e de suas áreas afins.

12 Nov 2018

Joana (interpretada por Jeanne Boudier) é uma adolescente que mora em Paris e sua a família decide retornar ao Brasil quando a lei de anistia é decretada no final de 1979. O retorno para o lugar de seu nascimento e início da infância, logo se mostra o mais importante das memórias que nunca obteve e as respostas de um passado que nunca foi silenciado. Na tentativa de “lembrar”, Joana persegue seu próprio caminho, ou melhor, desvenda seu passado em seu presente...

23 Oct 2018

Recentemente, em um encontro entre amigos e amigas, todxs carregando no corpo cansaço, tristeza e uma nítida esperança (um dia antes, 29/9, estávamos nas ruas pelo #elenao), surgiu na conversa aquelas que são as grandes esfinges sociais do Brasil contemporâneo: como se deu, nas periferias, a mescla entre aumento da escolaridade e de evangelização, poder de consumo e acesso às redes sociais? Como traduzir o resultado da soma entre Cristo, desilusão política e a motocicleta dividida em 18 vezes no cartão? Como ler a presença, cada vez mais requerida dado o tamanho de sua ausência, das mulheres no espaço político brasileiro...

26 Sep 2018

Os irmãos Carvalhos receberam o Candango de melhor direção e o Prêmio Canal Brasil no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, de 2017, com o curta-metragem “Chico” (2016). Selecionados, novamente, em 2018, com seu novo curta: “Eu, Minha Mãe e Wallace”. A história de uma fotografia: uma mãe solteira, um pai ausente e uma criança. Em linhas gerais, um homem (Fabrício Boliveira) que sai da prisão, após 11 anos, resolve conhecer a filha (Sophia Rocha) que nunca viu. A menina também não sabe que tem um pai. Com a ajuda de sua ex-namorada e mãe da menina (Noemia Oliveira). O filme fez sua estreia esse mês no Encontro de Cinema Negro Zózimo B...

21 Sep 2018

Para falar sobre as várias camadas que existem na evolução e na maturidade alcançada pela nova obra da dupla Glenda Nicácio e Ary Rosa, o longa-metragem Ilha, que estreia em competição no 51° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, é preciso pensá-lo como uma pintura, resultado de inúmeras camadas de tintas sobrepostas, mas que parece muito simples na imagem revelada a olho nu. Para compreendê-lo, precisaremos mobilizar elementos presentes no campo extra fílmico até sermos resgatados de volta para dentro da obra.

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