17 Jun 2020

Em junho de 2020, a Horizontes ao Sul (HaoS) comemora seu segundo aniversário. Nos últimos dois anos, conseguimos manter, com uma periodicidade semanal, a publicação de textos de qualidade, escritos por autor_s de diversas partes do Brasil e de outros países da América Latina, que têm em comum a compreensão da necessidade de ampliar as formas de produzir e compartilhar o conhecimento das ciências sociais com um público mais amplo.

11 Feb 2020

O título desse texto nasceu de uma série de inquietações percebidas durante meu curto período de pesquisa acadêmica com artistas visuais negros/as na cidade do Rio de Janeiro. Nela, lidei com depoimentos no qual alguns/mas dos/as artistas questionaram o fato de estarem presos/as à lógica da representação dentro do circuito das artes visuais...

[Observação: este ensaio é direcionado às pessoas que assistiram ao filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles]

A colonialidade é o lado obscuro da modernidade. Uma é a contraface da outra. O pressuposto, explicado por Walter Mignolo e seguido pelos teóricos do pensamento decolonial[1], evidencia que a promessa de uma humanidade emancipada, firmada nos contratos sociais, coexistiu com a sujeição de indígenas, negros, negras e demais habitantes do “Novo Mundo”.

O paradigma da emancipação/regulação pelas leis que levariam os indivíduos à liberdade civil não se colocava em contradição com o da violência empregada nas colônias. É q...

Em 2018, Programa de Alfabetização Audiovisual [1] completa uma década de atividades ininterruptas, tendo proporcionado a muitos estudantes e professores momentos únicos de experiências, encontros, invenções e descobertas com o cinema. Por ser voltado principalmente para professores e estudantes das redes públicas de ensino, com suas ações inteiramente gratuitas, o projeto se configura como uma política pública de democratização audiovisual, a partir da crença no caráter universal do acesso à arte, à cultura, à tecnologia e aos meios de produção do cinema e de suas áreas afins.

12 Nov 2018

Joana (interpretada por Jeanne Boudier) é uma adolescente que mora em Paris e sua a família decide retornar ao Brasil quando a lei de anistia é decretada no final de 1979. O retorno para o lugar de seu nascimento e início da infância, logo se mostra o mais importante das memórias que nunca obteve e as respostas de um passado que nunca foi silenciado. Na tentativa de “lembrar”, Joana persegue seu próprio caminho, ou melhor, desvenda seu passado em seu presente...

23 Oct 2018

Recentemente, em um encontro entre amigos e amigas, todxs carregando no corpo cansaço, tristeza e uma nítida esperança (um dia antes, 29/9, estávamos nas ruas pelo #elenao), surgiu na conversa aquelas que são as grandes esfinges sociais do Brasil contemporâneo: como se deu, nas periferias, a mescla entre aumento da escolaridade e de evangelização, poder de consumo e acesso às redes sociais? Como traduzir o resultado da soma entre Cristo, desilusão política e a motocicleta dividida em 18 vezes no cartão? Como ler a presença, cada vez mais requerida dado o tamanho de sua ausência, das mulheres no espaço político brasileiro...

Please reload